Sem medo de dizer que sei e que não sei

Acho sua falta de fé… preocupante. – Darth Vader Certa vez um repórter perguntou a Karl Barth se ele poderia sintetizar sua imensa obra Church Dogmatics. O grande teólogo pensou e respondeu com uma canção infantil: “Jesus me ama, isso eu sei, pois a Bíblia diz assim.” Ao ouvir isso, o Novo Tipo de Cristão talvez respondesse: “Jesus me ama? Eu não sei, não. A Bíblia diz isso? Hummm, acho que isso carece de interpretação, crítica textual, etc e tal.” Duvidar está em alta. Parece que estamos vivendo a Era da Dúvida e Incertezas. Não se trata de lutar com a dúvida como aquele pai do menino endemoninhado de Marcos 9.24. Não se trata de reconhecer os mistérios de Deus como o fizeram tantos cristãos através dos séculos, desde São Paulo em seu belo hino de adoração em Romanos 11.33, Pseudo-Dionísio Aeropagita em sua obra De divinis nominibus, ou mais recentemente Rudolf Otto com seu conceito do numinoso (Mysterium tremendum et fascinans). Não, o que temos hoje é a celebração da dúvida! O padroeiro da Igreja deste Novo Tipo de Cristianismo seria São Tomé. Ainda que o Novo Tipo de Cristão se apresente como seguidor de Jesus, ele não deseja ser crente. Prefere ficar em cima do muro para não ofender aqueles que sucumbiram nas filosofias pós-modernas que ridicularizam a crença em absolutos e exaltam o relativismo. São Paulo não se encaixaria neste Novo Tipo de Cristianismo. São Paulo estava cheio demais de declarações de fé como “sabemos”, “tenho certeza” e “estou certo” para ser aceito entre aqueles que nada sabem e não têm certeza de nada. O Evangelho que Paulo pregava “com absoluta convicção” não encontraria espaço no coração do Novo Tipo de Cristão, onde parece haver espaço somente dúvidas e incertezas. Possivelmente Jesus também não se encaixaria neste novo cristianismo. Afinal de contas a resposta de Jesus para a dúvida de Tomé soa mais como uma repreensão e admoestação do que como um encorajamento para que Tomé continuasse duvidando. Jesus disse: “Tomé, você quer provas, então toma! Coloca aqui a sua mão e veja, cara! Agora, deixa de ser incrédulo! Seja crente!” Esta é uma das dificuldades que encontro com o Novo Tipo de Cristianismo. Há muita conversa sobre Jesus e sobre viver a vida do Modo de Jesus. Mas Jesus chamou claramente pessoas para serem seus discípulos, isto é, aprendizes. Se alguém é aprendiz de Jesus, então pressupõe-se que esta pessoa esteja aprendendo com Ele. Seria muito estranho que alguém fosse aluno de Medicina e, depois de cinco anos de estudos, dissesse: “Não sei nada, não aprendi nada.” Certamente não se saberá tudo, mas algumas coisas são possíveis de se saber. Do mesmo modo, me parece estranho que alguém esteja trilhando o Caminho de Jesus, seja um aprendiz de Jesus, e não aprenda nada com Jesus. Posso ser rotulado de moderno, racional, conservador, ultrapassado, fundamentalista, mas não tenho dúvidas sobre o fato de que “Jesus me ama, isso eu sei…” Como é que sei? “Porque a Bíblia diz assim.” Reconheço não saber muitas coisas, mas tem coisas que posso afirmar com certeza “porque a Bíblia diz.” E se posso estar certo do amor de Jesus “porque a Bíblia diz”, então posso estar certo de outras verdades também “porque a Bíblia diz.”

texto extraído: www.sandrobaggio.com

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Uma Resposta to “Sem medo de dizer que sei e que não sei”

  1. Digo disse:

    ” É psicologicamente impossível adorar aquilo que é completamente apreendido. O divino precisa ter algo de qualidade indefinível para manter a devoção dos homens, pois, como os franceses dizem tão bem, “um Deus definido é um deus finito”.(…) A religião deve insistir que nós não conhecemos tudo sobre Deus; deve, ao mesmo tempo, insistir que o nosso conhecimento sobre Deus é verdadeiro.”