Voltar

Personagens da Reforma Protestante

 

Ninguém realiza uma grande obra sozinho!
O nome de Lutero obteve maior popularidade nos últimos anos devido ao filme com seu nome. Alguns acreditam que ele foi o único responsável pela Reforma Protestante. No âmbito humano, vários homens contribuíram para o início e desenvolvimento da Reforma. Com certeza os mais conhecidos são Martinho Lutero e João Calvino, nessa ordem. No entanto, homens de Deus contribuíram tanto antes como durante e após o estopim na igreja Católica.
Proponho nessa postagem considerarmos um pouco sobre esses personagens que vivenciaram um dos fatos mais importantes da Igreja.

I – OS PRÉ-REFORMADORES

Captura de Tela 2014-10-31 às 10.59.58
JOÃO WYCLIFFE (1328-1384) – Foi aluno e professor em Oxford. Tinha como desejo reformar a igreja despojando os padres das propriedades (fonte da corrupção) e afastando os imorais. Criticava a falta de moral na liderança. Defendeu Cristo e não o Papa como cabeça da Igreja, autoridade da Bíblia e não da igreja. Possibilitou ao povo o entendimento dessas verdades realizando a primeira tradução da Bíblia para o inglês.

hussperfil
JOÃO HUSS (1373-1415) – Seguidor dos ensinos de Wycliffe, estudou na Universidade de Praga, onde também foi professor e reitor. Rejeitou as indulgências, considerava sem valor para o verdadeiro perdão divino. Em 6 de junho de 1415 foi condenado e queimado vivo. Seus seguidores deram continuidade a sua obra. Pelo seu testemunho de coragem exerceu grande influência sobre a vida de Lutero.
Captura de Tela 2014-10-31 às 11.03.14
SAVONAROLA (1452-1498) – Desistiu da medicina e dedicou-se a vida monástica. Baseou sua ação em Florença. Atacou o mau caráter e a falta de governo do Papa Alexandre VI. Não o teve mesmo desenrolar de Wycliffe e Huss. Foi condenado e enforcado a mando do Papa em 23 de maio de 1498. Seu corpo depois fora queimado.

II – MARTINHO LUTERO, O Estopim da Reforma

Captura de Tela 2014-10-31 às 11.04.29

O homem e a ocasião para Reforma se encontraram na Alemanha do século XVI. Assim expressa CAIRNS (p. 233) ao falar sobre Lutero.
Tendo um pai com boas condições, nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Teve uma educação rigorosa. Sofreu grande influência de sua mãe, uma crente supersticiosa.
Na universidade de Erfurt graduou-se em artes em 1502, obteve o título de mestre em 1505. Encaminhava-se para o estudo do direito, desejo do seu pai. Interrompeu seu trajeto por ocasião de uma grande tempestade onde sua vida esteve sob perigo. Prometera tornar-se monge se permanecesse vivo.
Ordenado em 1507 celebrou sua primeira missa. Em 1512 recebeu o grau de doutor em Teologia. Passara a ser professor. Destacou-se no ensino e na pregação. O reitor da Universidade declarou: “Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo e ninguém no mundo pode combater em destruir esta palavra.” (FERREIRA, 24)
O estudo das Escrituras o incomodava. Sentia um clamor em sua alma. Romanos 1.17 abriu sua mente para a salvação pela fé somente.
Pregou veementemente contra as indulgências. Considerava uma relação reta e pessoal com Deus suficiente para trazer a salvação. Na porta da igreja do castelo de Wittenberg, local que servia para colocar os boletins da universidade, foi afixado seu protesto em forma de 95 teses. “Atacara a hierarquia, os sacramentos e a teologia da Igreja Romana.” (CAIRNS, p. 237)
Seu principal opositor era Tetzel, responsável pelas indulgências na igreja Católica. Lutero foi excomungado em junho de 1520, teve seus livros queimados. Levado por seus amigos passou algum tempo escondido. Nesse ínterim, traduziu o Novo Testamento para o alemão em 1 ano. Depois concluiu a tradução de toda a Bíblia.
WALKER descreve Lutero como “um dos poucos homens de quem se pode dizer que sua obra alterou profundamente a história do mundo. Não era organizador nem político. Movia os homens pelo poder de profunda fé religiosa resultante de inalterável confiança em Deus e relação direta, imediata e pessoal com ele.” (p. 9, V 2)
Faleceu em 18 de fevereiro de 1546, com 62 anos. Seu fúnebre fora realizado por seu substituto, Felipe Melanchton.

III – JOÃO CALVINO, O Sistematizador da Reforma

Captura de Tela 2014-10-31 às 11.05.32

Enquanto Lutero foi a voz profética da Reforma, Calvino foi o organizador.
Seu nascimento ocorreu em Noyon, França, em 10 de julho de 1509. Estudou direito, filosofia e teologia. Era um humanista. Antes de sua dedicação aos tratados teológicos, já se destacava como humanista.
Em 1936, aos 26 anos, concluiu sua grande obra, reconhecida até hoje: As Institutas da Religião Cristã. Na teologia de Lutero se destacava a justificação pela fé, na de Calvino a soberania de Deus. Após a morte de seu pai, dedicou-se ao estudo do grego e hebraico. Isto permitiu que ele elaborasse excelentes comentários sobre os livros da Bíblia.
Foi um grande exegeta, teólogo e pastor. É considerado o pai da exegese moderna. Além de reformador foi um grande incentivador da educação. “Em substituição à Academia, ele criou em Genebra um sistema de educação em três níveis, hoje conhecida como Universidade de Genebra, fundada em 1559. Sua ênfase sobre a educação chegou aos Estados Unidos, quando algum tempo depois os puritanos, calvinistas, criaram escolas no novo mundo.” (CAIRNS, p. 254)
Sua obra, As Institutas, tornou-se a principal referência em termos de teologia reformada. A teologia decorrente de seus ensinos ficou conhecida como calvinismo, o que também servia para diferenciá-la da teologia luterana. A forma de governo de igreja concebido por ele ficou conhecida por presbiterianismo.
Seu último sermão foi pregado em 6 de fevereiro de 1564, quando muito enfermo, foi levado a igreja em uma cadeira de rodas. Em uma reunião com os ministros em Genebra, um mês antes de sua morte, declarou: “A respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu graça de escrever. Fiz isso de modo mais fiel possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei fielmente diante de mim o que julguei ser a glória de Deus.” (FERREIRA, 54)
Faleceu em 27 de maio de 1564.

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” (Rm 1.16 e 17)

REFERÊNCIAS:

CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
FERREIRA, Franklin. TEOLOGIA DA REFORMA. Apostila do Mestrado em Teologia da Faculdade Batista de Teologia do Amazonas, 2001.
OLSON, Roger. HISTÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ. São Paulo: Vida, 2001
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

 

Fonte: Celson Coêlho