
“Ser escolhido por Deus nunca significou ser escolhido para ter um mérito, mas sim uma responsabilidade.” (John Burke)
Certo dia o pastor de minha Igreja leu o trecho de um livro em seu sermão que me chamou muita atenção. O nome do pequeno texto era “Brigada do Balde” cujas linhas relatavam como os graves problemas de incêndio eram solucionados antigamente. Conta a história que há muito tempo atrás, quando havia algum local em chamas, os próprios moradores das redondezas é que se mobilizavam para conter o fogo. Os bombeiros, então chamados naquela época de brigadistas, não contavam com a ajuda de mangueiras, tanques de água, extintores, mas sim com a colaboração de toda a população. O povo formava uma imensa fileira que se iniciava próximo a uma torneira com abundância de água, onde vários baldes eram cheios e percorridos de mão em mão até o local do incêndio. Assim, todo o processo levava horas, mas ninguém desistia até perceber que o fogo havia sido completamente apagado.
O que uma história tão simples nos leva a refletir?
A vida cristã começa a ter mais sentido quando começamos a servir, a seguir o verdadeiro e vivo exemplo de Cristo, que mesmo sendo Rei, foi servo, se fazendo como um de nós para nos libertar a preço de sangue: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2: 5-8).
Servir a Cristo, colocar a mão no arado do Senhor, ceifar os campos que ainda estão brancos, não deve ser um peso, uma prisão, nem uma obrigação, pois os nossos valores e conceitos vêm do que somos e do que fazemos como cristãos. Não existe graça barata, se nós desfrutamos dela hoje, é somente porque um dia nos foi dada gratuitamente a um custo muito alto.
O fogo na história que relatei só era contido com a ajuda de todos, literalmente dependendo das mãos de todos. A Igreja, que funciona como um corpo, só se movimenta, trabalha e cresce se todos os membros estiverem em sintonia. Nós não fomos escolhidos por acaso, nem para sermos honrados por alguma coisa. Pelo menos não nesse mundo. Mas fomos sim, chamados para ter uma grande responsabilidade, para formarmos uma gigantesca fileira entre a fonte e os que necessitam beber da água da vida, para que nunca mais tenham sede.
Kênia Siqueira
Texto retirado : separarprapensar.blogspot.com













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