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Entrevista com Marcelo Cartaxo

Pessoal, o “Espaço Cultural” de hoje é com o jornalista/empresário Marcelo Cartaxo. Ele vai estar conosco neste sábado, compartilhando a Palavra e suas experiências pessoais. Um ótimo exemplo de cristão que usa seus talentos para o crescimento do Reino, além de ter uma vida totalmente prostrada a Deus (em todas as áreas – matrimonial, financeira, espiritual, pessoal).

Marcelo, qual a sua idade?
35 anos.

O que você faz?
Apesar de ser formado em jornalismo e ter feito uma pós-graduação em marketing e propaganda, hoje sou empresário de confecção.

E como foi isso?
Ainda na faculdade, em meio a vários estágios em assessorias de imprensa e no Diário de Pernambuco, comecei a trabalhar também num recém-criado e pequeno (apenas 8 páginas) jornal especializado em surf, chamado The Surf Press. Como era surfista e ex-competidor, me identifiquei muito com o projeto. Mais tarde firmei sociedade e entrei de cabeça na publicação, escrevendo matérias, diagramando, editando e viajando muito. Em poucos anos, passamos a fazer um jornal mensal (que depois virou uma revista), de mais de 100 páginas, que circulava em todo Brasil. Após oito anos de muito trampo e 95 edições impressas, fechamos o veículo, em meados de 2001, em virtude de uma forte crise financeira nacional, que abalou o mercado do surf como um todo.

Como entrou então o lance da confecção?
Bem, o The Surf Press era bancado pelas propagandas, que, em sua grande maioria, eram de conceituadas marcas do setor como Quiksilver, Billabong, Reef, Rip Curl, entre outras. Como vivenciamos esse “universo? de confecções, sempre alimentamos (eu e meus sócios, os também jornalistas Helio e Beatriz Coutinho) o desejo de criar uma marca de roupas própria, que transmitisse todo o real feelling do surf. Daí surgiu, em janeiro de 2002, a MENTOR. Em sete anos de muita luta, aos poucos a marca vai conquistando seu espaço. Atualmente oferecemos ao público boardshorts, camisas, regatas, bonés e acessórios da MENTOR, em duas lojas de fábrica (Parnamirim e Boa Viagem), além de revendermos para mais de 30 lojas multimarcas no Grande Recife.

Ser cristão no meio empresarial é difícil?
É tão difícil como em qualquer outra área. Aliás, em qualquer trabalho o agir de Deus através da gente sempre será mais complicado, se não consagrarmos essa nossa área da vida a Ele. Nossa profissão é uma oportunidade de termos nosso sustento sim, mas, sobretudo, uma grande chance e um instigante desafio de levarmos a Palavra, o testemunho e a ética cristã àqueles que estão ao nosso redor. Pessoas as quais os pastores das igrejas talvez nunca possam alcançar, mas que cada um, que encara a profissão como um chamado, talvez tenha possibilidade. Não estou falando apenas de pregar, quando houver chance, para fornecedores, clientes ou pessoas do trabalho, mas tentar agir em conformidade com a Bíblia em pontos fundamentais como: ser verdadeiro no trato comercial, transparente com todos, justo com a equipe de trabalho, íntegro e não se deixar corromper pelo ?jeitinho brasileiro? de levar vantagem em tudo. Agir corretamente e com honestidade (creditando sempre a glória a Deus), acredite, impacta as pessoas nesse mundo de valores completamente invertidos em que vivemos.

A MENTOR, apóia eventos ou ministérios de igrejas, não é verdade?
Isso. Deus é incrível! A MENTOR surgiu na época em que nos (eu e meus sócios) convertemos. Daí o nome da marca ser uma homenagem ao maior de todos os mentores: Deus – aquele que nos orienta, direciona e dirige nossos passos. Portanto, nossa intenção é empreender uma ?empresa com propósitos?, e alinhar a visão da marca com a visão de Deus para ela. Para qualquer pessoa é muito pouco como expectativa ou missão de vida fazer do seu trabalho apenas o meio de subsistência. Mas o Senhor tem nos inquietado para levarmos, mesmo com nossas limitações, o amor Dele e o poder transformador do evangelho à juventude, que está se acabando com os prazeres passageiros e mentirosos desse mundão louco. Nosso versículo/base é: ?Como um jovem poderá conservar puro o ser caminho? Observando a Palavra de Deus? (Salmo 119:9). Uma das mensagens da MENTOR diz, em síntese, que o jovem pode ter atitude, ser radical, ousado e cristão ao mesmo tempo, vivendo a maior de toda adrenalina: o caminhar com Cristo. Daí sermos parceiros de movimentos de juventude de diversas denominações, de evangelismos de impacto, da Missão Surfistas de Cristo e agora também do Plano B e de seu maravilhoso trabalho.

Quais os pontos negativos e positivos de ser empresário?
O negativo é que quem é dono tem que vivenciar o negócio 24h por dia e se envolver em todas as áreas da empresa. Às vezes é meio desgastante. Além disso, a pessoa tem que estar disposta a correr riscos. Sou empresário a mais de 15 anos. Já passei muitos altos e baixos financeiros, emocionais e até de falta de fé mesmo. Para começar a MENTOR, vendi meu carro, coloquei minhas economias na empresa e voltei a andar de ônibus, sem um Real no bolso. Férias de 30 dias e 13º salário é outra coisa que é difícil para quem é dono. Sobre os pontos positivos, eis alguns: você está sempre estudando os caminhos que seu negócio tomará; Apesar de trabalhar bem mais, há uma flexibilidade de horário, quando necessário; O sonho de um negócio que é ?a sua cara? pode se transformar em realidade; e existe uma gama de possibilidades, pois hoje você pode empreender em diversos segmentos profissionais.

Você encorajaria algum jovem a seguir a mesma carreira que você?
Sim. Pesquisas mostram que a vocação empreendedora está arraigada na maioria dos brasileiros. É importante alguns pontos como estudar, repensar e analisar o negócio constantemente. Observar sempre o que a concorrência faz. Saber a real viabilidade do que se pretende montar (informação, simulação e cálculos nunca são demais). Se possível, fazer cursos especializados em marketing, para dar uma amplitude mercadológica (há boas opções no SEBRAE, nos MBAs e tem também o Empretec). E, acima de tudo, orar para saber a direção de Deus para sua vida profissional. Já quebrei e ainda quebro muito a cara com isso, pois tomei muitas decisões sem consultar a Deus. Impulsividade e independência de Deus não combinam, em definitivo, com empreendedorismo.