A oração faz diferença?

01 ago 2010

escrito por Leo

prayer

Há uma imensa diferença entre uma visão de mundo que não é capaz de responder satisfatoriamente as perguntas feitas e uma cujas respostas são consistentemente contraditórias. Há uma diferença ainda maior entre as respostas que contêm paradoxos e as que são sistematicamente irreconciliáveis.

Mais uma vez, a fé cristã se destaca como única neste teste, tanto como um sistema de pensamento como nas respostas que dá. O cristianismo não promete que você vai ter todas as perguntas respondidas plenamente antes de morrer, mas as respostas que dá são consistentemente coerentes. Podem existir paradoxos no ensino e crença cristã, mas eles não são irreconciliáveis. Para aqueles que sentem que o cristianismo falhou por causa de orações que ficaram sem resposta, é importante perceber o que estou dizendo aqui.

Sentei-me com um homem no meu carro, conversando sobre uma série de más experiências que aconteceram a ele. “Haviam apenas algumas coisas que eu queria na vida“, disse ele. “Nenhuma delas acabou do jeito que eu tinha orado. Eu queria que os meus pais vivessem até, pelo menos, eu ser capaz de me sustentar sozinho e que eles pudessem ver meus filhos crescerem. Isso não aconteceu. Eu queria que meu casamento desse certo e isso não aconteceu. Eu queria que meus filhos crescessem gratos pelo que Deus lhes tinha dado. Isso não aconteceu. Eu queria que meu negócio prosperasse e isso não aconteceu. Não só as minhas orações não deram em nada, como o exatamente oposto aconteceu. Nem sequer me pergunte se você pode orar por mim. Eu agora não tenho qualquer tipo de confiança em tais coisas.

Eu senti duas emoções crescendo dentro de mim enquanto eu ouvia. A primeira foi de tristeza genuína. Este homem sentia que tinha tentado, que tinha feito a sua parte, mas que Deus não tinha cumprido a sua parte do acordo. A segunda foi de desamparo, enquanto eu me perguntava por onde começar a tentar ajudá-lo.

Estas são algumas arestas da fé em um Deus transcendente, todo-poderoso e pessoal. Muitos de nós têm a tendência de reagir com raiva ou retirada quando sentimos que Deus nos decepcionou por não nos dar coisas que achávamos legítimas de serem pedidas. Podemos nos sentir culpados por pensar que nossas expectativas em relação a Deus eram grandes demais. Podemos sentir que Deus não respondeu a nossas orações por causa de algo que falta em nós mesmos. Podemos nos comparar com os outros, cujos desejos parecem ser concedidos por Deus, e imaginar porque Ele não se apresenta a nós na maneira como faz para os outros. E às vezes nós permitimos que esta decepção em Deus apodreça e corroa a nossa fé nEle, até que os anos passem e nos encontremos privados de crença.

GK Chesterton supôs que, quando a crença em Deus se torna difícil, a tendência é nos afastarmos dEle. Mas, em que direção? Para o cético ou o que tem se decepcionado com sua fé, a resposta óbvia à pergunta de Chesterton pode ser: desista de acreditar que há alguém lá fora, cuide de sua própria vida e viva da melhor maneira que a sua capacidade permitir.

Mas, Chesterton também escreveu: “O problema real com o nosso mundo não é que este seja um mundo irracional, ou mesmo razoável. O problema mais comum é que o mundo é quase razoável, mas não completamente.” (2) Ele está certo. Nem tudo na vida pode ser compreendido pela razão, tantas coisas estão aquém de qualquer explicação razoável. A oração torna-se então o grito irreprimível do coração nos momentos que mais precisamos. Para cada pessoa que sente que a oração não tem “funcionado” pra ela e, portanto, abandona a Deus, há alguém para quem a oração continua a ser uma parte vital de sua vida, sustentando-a mesmo quando suas orações não foram respondidas, pois sua crença e confiança repousam não só no poder da oração, mas no caráter e sabedoria de Deus. Deus é o foco dessa oração, e é isto o que sustenta e preserva a fé destas pessoas.

A oração é muito mais complexa do que muitos comentam. Há muito mais envolvido do que apenas pedir algo e recebê-lo. Neste, como em outros contextos, muitas vezes tendemos a acreditar que algo é o que nunca foi, mesmo quando sabemos que não pode ser tão simples como gostaríamos de pensar que é.

Ravi Zacharias é fundador e presidente do Ravi Zacharias International Ministries.

Traduzido da newsletter diária “A Slice of Infinity”, que visa atingir na cultura, com palavras de desafio, palavras de verdade, e as palavras de esperança. http://www.rzim.org/resources/read/asliceofinfinity/slicesignup.aspx

(1) Extraído de “Has Christianity Failed You?” Por Ravi Zacharias. Copyright © 2010, Ravi Zacharias. Usado com permissão da Zondervan. www.zondervan.com
(2) GK Chesterton Ortodoxia, (San Francisco: Ignatius Press, 1995), 87.


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