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A cegueira de todos nós.

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Sabe aquele momento da vida em que todos nós queremos aprender a dar o laço no cadarço? É uma prova de independência! Queremos provar que podemos fazer sozinhos já. Pois é. Meu amigo Max (Lucado), conta que uma vez um amigo dele viu um exemplo da aflição de sua filha de 6 anos de idade: ela tava apressada pra ir pra escola e deu um nó nos cadarços. Sentou na escada e colocou a cabecinha pra funcionar naquele emaranhado. O ônibus da escola estava vindo, os minutos estavam passando e ela nem parou pra pensar que o pai estava do lado dela, disposto a ajudar assim que ela pedisse. De repente, suas mãozinhas começaram a tremer e as lágrimas a cair. Finalmente, em uma expressão de total frustração, ela abaixou a testa nos joelhos e começou a chorar copiosamente.
Esse é um retrato em tamanho infantil da preocupação destrutiva. Mas tem vários retratos em tamanho maior. Como os discípulos, por exemplo.
Às vezes que tento me colocar no lugar de Deus pra tentar adivinhar o que ele sente com determinadas coisas que nós, humanos-bichos-esquisitos, ousamos fazer. É como disse uma pessoa hoje e como a própria Bíblia nos diz: Deus sente tudo que sentimos, mas de forma exagerada, intensificada.
Dá pra imaginar o que Jesus sentiu quando, no mar, no meio de uma tempestade, enquanto ele estava ali bem ao alcance dos discípulos-puxas-saco, ele foi o último a ser chamado, como a última carta do baralho? Os incrédulos dos discípulos já tinham tentado de tudo, chegado ao desespero, e só depois chamaram Jesus. E ele simplesmente acordou, levantou seus braços grandes e poderosos e ordenou ao mar e ao vento que se acalmassem. E, acredite se quiser, eles se acalmaram!
É aí que eu aprendo que eu tô junto com os discípulos nesse retrato em tamanho maior. Nós muitas vezes passamos por tempestades na vida e fazemos o mesmo: depois de termos tentado de tudo é que chamamos Deus pra intervir. É aí que eu aprendo também que Deus não sai do nosso lado, mesmo nas situações mais difíceis. Pode até parecer que ele está dormindo e não liga pra você, mas é aí que ele enxerga a grande oportunidade pra te mostrar o poder que ele tem sobre o universo e sobre você, especialmente.
Já pensou também na segunda multiplicação de pães? É, porque na primeira não deu nem tempo pros discípulos duvidarem direito porque como eles iriam imaginar que Jesus iria orar e fazer alguns pães e poucos peixes se multiplicarem daquele jeito? Mas na segunda multiplicação, mesmo já tendo visto a primeira, eles ainda duvidaram! Eles foram capazes de pensar: Bem, vejamos. Temos alguns pãezinhos, uns peixinhos… e agora?! Pararam a contagem e se preocuparam ao invés de pensar: Temos esses pães, esses peixes e… Jesus! Mesmo depois de andarem com ele já há algum tempo, vendo curar milagrosas, ouvindo de camarote os ensinamentos da boca do próprio JC e ainda pegando restos de poder dele pra curar também um aqui e outro acolá! O que será que Jesus sentiu?
É aí que eu aprendo que, mesmo na dor, na angústia, Deus é providencial. Ele não deixa faltar alimento, água e amor para aqueles que, mesmo duvidando de vez em quando, o seguem.
É aí que eu me pergunto, 2009 anos depois que tudo isso e tantas coisas mais aconteceram (porque deu tempo pra incontáveis outros milagres): Por que eu ainda duvido?
Espero que, em meio a todas as coisas que Deus sente diante disso, haja espaço pra misericórdia. E há. E sempre houve. E sempre haverá.

[Lívia Oliveira]